INSTITUTO FUTURISTA

Iconarmadilhemos a verdade para que ninguém lhe toque.

Pára e pensa

 
 

Mário Quintana




As fronteiras foram riscadas no mapa,
a Terra não sabe disso:
são para ela tão inexistentes
como esses meridianos com que os velhos sábios a recortavam
como se fosse um melão.
É verdade que vem sentindo há muito uns pruridos,
uma leve comichão que às vezes se agrava:
ela não sabe que são os homens...
Ela não sabe que são os homens com as suas guerras
e outros meios de comunicação.

Mário Quintana

 
 

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Super plástico que atrai e repele a água






"A new, practical method for making surfaces with patterns of areas that strongly attract and strongly repel water could lead to a highly efficient method for capturing clean water. This versatile material could also find uses in fabricating new types of devices for medical tests and chemical synthesis.

Scientists have reported numerous applications of water-attracting (superhydrophilic) and water-repelling (superhydrophobic) surfaces, including fog-free eyeglasses and windshields, and self-cleaning cloth and glass. Now a group of researchers in MIT's materials science and engineering department has combined those opposing characteristics on a single surface, by using a simple and versatile fabrication process."

via: Technology Review

 
 

As centrais nucleares são bombas atómicas que produzem electricidade





Porquê as centrais nucleares não respeitam o meio ambiente?


Porque as centrais nucleares são, na realidade, bombas atómicas que produzem electricidade.

Porque são uma fábrica de Plutónio (Pu-239), um elemento inexistente tanto na biosfera como na crosta terrestre. O Pu é um elemento extremamente tóxico (química e radioactivamente), e, além disso, é um material básico para fabricar bombas atómicas que os arsenais militares e militaristas procuram (10Kg de Pu é suficiente). Uma central nuclear de 1.000MW de potência eléctrica produz entre 200 a 300 kg de Pu-239 cada ano, quantidade suficiente para fabricar entre 20 a 30 bombas atómicas.

Porque emitem, em funcionamento normal, para a água e para o ar, quantidades nada desprezíveis de radioactividade. Uma central nuclear de 1.000MW de potência eléctrica emite na ordem de 9.500 Becquerelios por cada kWh gerado. Isto significa mais de 240 mil milhões de Bq por cada ano de funcionamento (1Bq = 1 desintegração/segundo).

Porque para obter o combustível que precisa para iniciar o seu funcionamento, uma central nuclear de 1.000MW(e) requer a extracção do subsolo de mais de um milhão de toneladas de Urânio, removendo mais de seis milhões de toneladas de rochas (o simples facto de extrair Urânio do subsolo significa introduzir na biosfera produtos radioactivos que permaneciam até à sua extracção, retidos na crosta terrestre de forma segura, contribuindo para o envenenamento radioactivo dos sistemas naturais). Uma vez extraídos estas colossais quantidades de mineral Urânio, são transportados para as fabricas de concentração do mineral, donde, por procedimentos mecânicos e químicos, obtém-se umas 1.000 tons de óxido de Urânio (U308) ou torta amarela (yellow cake), gerando-se neste processo mais de um milhão de tons de resíduos sólidos e líquidos, denominados estéreis do minério de Urânio (que contem 85% da radioactividade original do mineral), os quais permanecem abandonados nos arredores das fábricas de concentrados emitindo radioactividade (Rádon-222) para o ar e lixiviando produtos radioactivos nas águas superficiais e subterrâneas durante séculos. Da torta amarela, nas fabricas de conversão, obtém-se mais de 1.000 tons de Hexafluoro de Urânio (um gaz) com o qual, nas fábricas de enriquecimento obtém-se um pouco mais de 100 tons de Hexafluoro de Urânio enriquecido no seu isótopo U-235, o qual, depois se converte em 85 tons de óxido de Urânio (sólido) que servem para a fabricação das barras de combustível contidas na primeira carga do reactor nuclear. Em cada uma das fases, fábricas de conversão, fábricas de enriquecimento, fábricas de combustível, geram-se quantidades nada desprezíveis de resíduos radioactivos, entre eles Urânio empobrecido (mais de 1.000 tons por cada carga inteira de combustível num reactor) que a indústria nuclear concede a custo zero, às fabricas de armamento para serem utilizadas no recobrimento de todo o tipo de munição (desde mísseis até às balas).

Porque para obter o combustível que precisam para o seu funcionamento, as centrais nucleares necessitam gastar enormes quantidades de combustíveis fósseis (contribuindo para a emissão de grandes quantidades de gases de efeito de estufa): para a extracção do mineral de Urânio na mina, para o tratamento do mineral nas fábricas de concentrado para obter a torta amarela; para a transformação do óxido de Urânio em hexafluoro de Urânio para obter Urânio enriquecido no seu isótopo U-235; para a transformação do hexafluoro de Urânio enriquecido em óxido de Urânio enriquecido necessário para fabricar o combustível nuclear que necessita qualquer central nuclear necessita. E para o transporte desde as minas às fábricas de concentração do mineral, destas às fábricas de transformação, destas às fábricas de enriquecimento, destas às fabricas de combustível e destas aos reactores.

Porque se realizarmos uma análise do ciclo de vida de uma central nuclear conclui-se que as emissões de gases de efeito de estufa são entre uma terça e uma quinta parte das emissões de uma central térmica de ciclo combinado de gás de igual potência, sempre que o Urânio se obtenha de minérios de elevada riqueza. No caso em que proceda de minérios de baixo conteúdo de Urânio, uma central nuclear e todo o seu ciclo ( da fase a montante e a jusante à central) podem gerar mais gases de efeito de estufa que uma central térmica de ciclo combinado de igual potencia.

Porque cada ano se deve substituir uma terça parte do combustível nuclear contido no núcleo do reactor. E o combustível descarregado anualmente contem umas 30 tons de Urânio (com um conteúdo de U-235 superior a 0,7%), entre 200 e 300 kg de Plutónio, mais uns 1.000kg de produtos de desintegração e actínidos, passando a engrossar os denominados resíduos que devem ser armazenados e isolados da biosfera, de forma permanente, durante milhares de anos.

Tudo isto, em funcionamento normal, no caso de acidente as consequências podem ser catastróficas, como o demonstrou o acidente da central nuclear Lenine, de Chernobil.

Este é o legado de envenenamento radioactivo que uma central nuclear nos deixa.

Grupo de Científicos e Técnicos por um Futuro não-Nuclear

 
 

Palavras de Edgar Morin

O pensamento ecologizado


Examinemos o aspecto paradigmático do pensamento ecologizado. Dou ao termo “paradigma” o seguinte sentido: a relação lógica entre os conceitos-mestres que governam todas as teorias e discursos que dependem dele. Assim, o grande paradigma que guiou a cultura ocidental durante os séculos XVII ao XX desuniu o sujeito e o objecto, o primeiro foi remetido à filosofia, o segundo à ciência, tudo o que era espírito e liberdade dependia da filosofia, tudo o que era material e determinista dependia da ciência. É este o quadro onde se engendrou a disjunção entre a noção de autonomia e a de dependência. O pensamento ecologizado deve necessariamente romper este paradigma e referir-se a um paradigma complexo em que a autonomia do vivente, concebido como ser auto-eco-organizador, é inseparável da sua dependência.


O organismo de um ser vivo (auto-eco-organizador) trabalha sem cessar, degrada a sua energia para auto manter-se; tem necessidade de renovar alimentando-se no seu meio ambiente de energia fresca e deste modo, depende do seu meio ambiente. Assim precisamos da dependência ecológica para assegurar a nossa independência. A relação ecológica conduz-nos muito rapidamente a uma ideia aparentemente paradoxal: a de que para ser independente, é necessário ser dependente; quanto mais se quer ganhar independência, mais é necessário pagá-la com a dependência. Assim, a nossa autonomia material e espiritual de seres humanos depende, não só de alimentos materiais mas também de alimentos culturais, de linguagem, de um saber, de mil coisas técnicas e sociais. Quanto mais a nossa cultura permitir o conhecimento de culturas estrangeiras e de culturas passadas, mais possibilidades terá o nosso espírito de desenvolver a sua autonomia.


Mais profundamente, a auto-eco-organização significa que a organização do mundo exterior está inscrita no interior de nossa própria organização vivente. Assim o ritmo cósmico da rotação da Terra sobre si mesma, que alterna o dia e a noite, encontra-se não só no exterior de nós, mas também no nosso interior, em forma de relógio biológico interno; este determina nosso ritmo nocti-diurno autónomo, o qual manifesta a sua periodicidade num sujeito que viva fechado numa gruta. Também, o ritmo das estações está inscrito no interior dos organismos vegetais e animais. Algumas plantas começam a segregar a sua seiva a partir do aumento da duração do dia, outras a partir da intensificação da luz solar. Para a maior parte dos animais, a primavera desencadeia a parada nupcial. Dito de outro modo, o ritmo cósmico externo das estações é um ritmo que se encontra no interior dos seres vivos e nós temos integrado no interior das nossas sociedades a organização do tempo solar ou lunar; o nosso calendário e as nossas festas. O mundo está em nós ao mesmo tempo que estamos no mundo.


Devemos abandonar totalmente a concepção insular do homem. Não somos extra-viventes, extra-animais, extra-mamíferos, extra-primatas. Não estamos separados dos primatas, não nos convertemos em super-primatas ao desenvolver qualidades esporádicas só encontradas nos símios, como o bipedismo, a caça e o uso de instrumentos. Não estamos separados dos mamíferos, somos super-mamiferos marcados para sempre pela nossa relação íntima, quente, intensa de ser inacabado, não só no nascimento, mas também até à morte, com nossa mãe, nossos irmãos e irmãs, fontes de amor, de afecto, de ternura, de fraternidades humanas. Somos super-mamiferos, super-vertebrados, super-animais, super-viventes. Esta ideia fundamental significa que não só a organização biológica, animal, mamífera, etc., se encontra na natureza exterior de nós, mas também na nossa natureza, no nosso interior.


Como todo os seres vivos, somos também seres físicos. somos constituídos por macro-moléculas complexas formadas numa época pré-biótica terrestre: os átomos de carbono destas moléculas, essenciais à vida, formaram-se do encontro entre núcleos de hélio no forno de sóis que precederam o nosso. Todas as partículas ligadas no hélio datam dos primeiros segundos do universo. Não estamos unicamente num mundo físico: este mundo físico, na sua organização físico-quimica, está constitutivamente em nós. Aqui temos um princípio fundamental do pensamento ecologizado: não se pode separar um ser autónomo (Autos) do seu habitat cosmofisico e biológico (Oikos), como também é essencial pensar que Oikos está em Autos sem que por isso Autos deixe de ser autónomo. No que concerne ao homem, este é relativamente estrangeiro num mundo que, apesar de tudo, é o seu. Efectivamente, somos integralmente filhos do cosmos. Mas, pela evolução, pelo desenvolvimento particular do nosso cérebro, pela linguagem, pela cultura, pela sociedade, somos estranhos ao cosmos, distanciamo-nos do cosmos e marginalizamo-nos dele.


Para compreender a nossa situação, adoptarei a parábola do matemático Spencer-Brown. Dizia ele mais ou menos o seguinte: «suponhamos que o universo quisera tomar consciência de si. Que faria? Pois bem, o universo estaria obrigado a separar de si uma espécie de pedúnculo, de tentáculo que pudesse ver-se a si mesmo. Mas, no momento que este braço se separa, em que a extremidade deste braço se volta sobre o universo para observá-lo, deixa de fazer parte dele verdadeiramente e torna-se um estranho. Assim, o universo fracassa em conhecer-se aí onde teve êxito; no momento em que conseguiu conhecer-se, é demasiado tarde: o que conhece autonomiza-se de alguma maneira». Esta parábola traduz a nossa situação. Alguns cogitam definir o homem pela disjunção e oposição à natureza; outros pensaram defini-lo pela integração na natureza. Vivemos nesta situação paradoxal.


Chegamos ao momento histórico em que o problema ecológico nos obriga a tomar consciência da nossa relação fundamental com o cosmos e da nossa estranheza perante ele. Toda a história da humanidade é uma história de interacção entre a biosfera e o homem. O processo intensificou-se com o desenvolvimento da agricultura, que modificou profundamente o meio natural. Criou-se uma espécie de dialógica (relação de ordem complementar e antagónica) crescente entre a esfera antroposocial e a biosfera. O homem deve deixar de agir como um Gengis Kan da periferia solar. Deve considerar-se não como o pastor da vida, mas como o co-piloto da natureza. A partir de agora, a consciência ecológica requer uma pilotagem dupla: uma, profunda, que vem de todas as fontes inconscientes da vida e do homem, outra, da nossa humana inteligência consciente


Edgar Morin

 
 

Palavras de Edgar Morin

...numa entrevista ao diário espanhol "El Mundo":

"Vivimos en un mundo interdependiente, necesitamos que la sociedad tome conciencia de su destino común para afrontar los peligros mortales y transformar la actual evolución, que se encamina al desastre.
Existe un territorio comunicado y una economía global, es decir, una infraestructura de sociedad moderna, pero falta la conciencia del destino común, o sea, la estructura. La ONU y las instituciones económicas actuales no son suficientes."
"La globalización económica ha sido muy cruel, pero ha ido paralela a una mundialización de los derechos humanos, las democracias y una cultura planetaria. La segunda mundialización humana consiste en no reducir el mundo a un asunto de mercado."

 
 

O Patriota

António, depois de dormir numa almofada de algodão (Made in Egipt), começou o dia bem cedo, acordado pelo despertador (Made in Japan) às 7 da manhã.
Depois de um banho com sabonete (Made in France) e enquanto o café (importado da Colômbia) estava a fazer na máquina (Made in Czech Republic), barbeou-se com a máquina eléctrica (Made in China).
Vestiu uma camisa (Made in Sri Lanka), jeans de marca (Made in Singapure) e um relógio de bolso (Made in Swiss).
Depois de preparar as torradas de trigo (produced in USA) na sua torradeira (Made in Germany) e enquanto tomava o café numa chávena (Made in Spain), pegou na máquina de calcular (Made in Korea) para ver quanto é que poderia gastar nesse dia e consultou a Internet no seu computador (Made in Thailand) para ver as previsões meteorológicas.
Depois de ouvir as notícias pela rádio (Made in India), ainda bebeu um sumo de laranja (produced in Israel), entrou no carro (Made in Sweden) e continuou à procura de emprego.

Ao fim de mais um dia frustrante, com muitos contactos feitos através do seu telemóvel (Made in Finland) e, após comer uma pizza (Made in Italy), o António decidiu relaxar por uns instantes.

Calçou as suas sandálias (Made in Brazil), sentou-se num sofá (Made in Denmark), serviu-se de um copo de vinho (produced in Chile), ligou a TV (Made in Indonesia) e....
pôs-se a pensar porque é que não conseguia encontrar um emprego em PORTUGAL...

(do João Paulo)

 
 

Injustiça económica

"Una de las causas básicas de la injusticia económica es la competición excesiva y derrochadora. Aunque una competición limitada sin duda sirvió como un útil estímulo para la producción durante el período de la historia cuando los medios de producción estaban menos desarrollados, la cooperación debe ahora reemplazarla. Los recursos humanos y materiales a nuestra disposición deben ser usados para el bien a largo plazo de todas, no para el lucro a corto plazo de unos pocos. Esto sólo puede ser hecho si la cooperación reemplaza a la competición como la base de la actividad económica organizada".

via: Ecovision