INSTITUTO FUTURISTA

Iconarmadilhemos a verdade para que ninguém lhe toque.

contribuições para a Utopia - Morin


I

Quando um sistema é incapaz de resolver com seus próprios meios seus problemas fundamentais, ou ele se rompe, ou consegue fazer surgir a partir de si mesmo um "metassistema", mais complexo, capaz de resolver os problemas que lhe são colocados.
As sociedades actuais são incapazes de tratar os problemas planetários fundamentais. É vital que elas se associem, daí a alternativa; associação ou barbárie. Mas essa associação deveria fazer emergir uma sociedade de um tipo novo, uma sociedade- mundo.


II

Não podemos equacionar os problemas globais do planeta enquanto estivermos num conhecimento fragmentado em disciplinas fechadas; é preciso uma reforma do pensamento que nos permitisse conceber os problemas fundamentais e os problemas globais que nosso conhecimento actual reduz a migalhas. Não podemos pensar nem de maneira local nem global. Eles se interpelam sem parar, interpenetram e se confundem. Daí a necessidade de um pensamento complexo.


III

Vivemos prosaicamente quando fazemos aquilo que somos obrigados a fazer para sobreviver. Viver verdadeiramente é viver na intensidade da paixão, do amor, do jogo, da comunidade. Acredito que é preciso substituir a ideia de desenvolvimento, que se confia ao progresso tecno-económico para assegurar o progresso humano, pela ideia de uma política de civilização, que nos conduza a reformar nossa própria civilização e a reconsiderar os princípios que a comandam e que, na minha opinião, conduzem-nos à esclerose, à regressão, em direcção à catástrofe. De resto, não se manifestam mais na nossa civilização nem a esperança nem a solidariedade.
A idéia de que um outro caminho possível suscitaria uma ressurreição da esperança. Não mais a antiga esperança, fundada sobre a certeza do progresso, mas uma esperança consciente da aposta que ele comporta.

Edgar Morin

 
 
 
 

Enviar um comentário 1 comentários:

Giovanni Gigliozzi - giogigliozzi@gmail.com disse...

O texto I explica poeticamente o conceito de "crise de legitimação" de um sistema, proposto por Ken Wilber. Este fenômeno gera uma crise interna ao sistema, que precisa transformar-se para sobreviver. Wilber propõe que as sucessivas transformações advindas dessas crises constituiem uma evolução desdobrada holisticamente, com transcendência-e-inclusão.

O Texto II aplica este conceito ao nosso momento histórico.

Brilhantismo característico de Morin. Exposição clara, translúcida, inequívoca.

Excelente blog!

9:42 da tarde

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